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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Lesão da barreira hematoencefálica: Uma nova disfunção na insuficiência cardíaca e sua correção pelo treinamento aeróbio.

Ichige, MH, Fragas, MG, Kras, VR, Michelin, LC
ICB - USP - Instituto de Ciências Biomédicas - São Paulo - SP - Brasil

Introdução: Demonstramos recentemente que a hipertensão arterial primária é acompanhada de disfunção autonômica e lesão da barreira hematoencefálica (BHE) em áreas de controle autonômico cardiovascular, permitindo que moléculas como a angiotensina 2 ganhem acesso ao sistema nervoso central a partir da circulação. Essas alterações foram corrigidas pelo treinamento aeróbio (T). Sabendo-se que disfunção autonômica também caracteriza a insuficiência cardíaca (IC), buscamos investigar o possível envolvimento de alterações da BHE no desenvolvimento da IC bem como avaliar nestes animais os efeitos do T sobre os parâmetros hemodinâmicos e a permeabilidade da BHE.

 

Métodos: Ratos Wistar (3 meses) submetidos à ligadura da coronária esquerda (IC) ou à cirurgia fictícia (SHAM) foram mantidos em protocolos de T ou sedentarismo por 6 semanas e canulados para aquisição de variáveis hemodinâmicas e função ventricular. A seguir, procedeu-se à infusão intra-arterial de Rodamina-dextran-70kD (que permanece nos capilares) + FITC-dextran-10kD (que extravasa ao interstício frente a lesão da BHE) e à coleta do encéfalo (avaliação da integridade da BHE em áreas de controle autonômico), coração (planimetria do ventrículo esquerdo, VE) e pulmões (análise da congestão pulmonar). Análise estatística (P<0,05): ANOVA de 2 fatores (grupo e condição) e post-hoc de Tukey.

 

Resultados: IC-S vs. SHAM-S apresentaram reduzida capacidade aeróbia, estase pulmonar, extensa área de infarto (>48%), queda da PAM (-12%) e elevada PDFVE (11,8±4,1 mmHg), dP/dt+ e dP/dt- reduzidas (-46% e -41%) e intenso extravasamento do FITC-10kD nos núcleos do trato solitário (NTS) e paraventricular do hipotálamo (PVN), importantes áreas de controle autonômico (15,1±0,6% e 15,3±0,7% vs. 0,6±0,1% e 0,8±0,2% nos respectivos SHAM-S). O T nos ratos IC melhorou o desempenho em esteira, normalizou a PAM, elevou em 41% a dP/dt+ e reduziu o extravasamento do FITC-dextran para niveis semelhantes aos dos animais SHAM (NTS=0,3±0,1%, PVN=1,4±0,3%), sem alterar significativamente os demais parâmetros. Nenhuma alteração foi observada nos SHAM-T vs. SHAM-S.

Conclusões: Nossos dados revelam que a BHE está lesada na IC, mas é corrigida pelo T mesmo na persistência de disfunção ventricular. A descrição da restauração da integridade da BHE no NTS e PVN, normalizando sua função de barreira do sistema nervoso central, aponta para mais um benefício do T nessa síndrome e deve nos ajudar a compreender os mecanismos através dos quais o T é capaz de corrigir a hiperativação neurohumoral da IC.

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