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Insuficiência cardíaca avançada: estamos reconhecendo a terminalidade da doença e oferecendo o melhor cuidado possível?

Daniel Dei Santi, Alexandro De Matos Soeiro, Maria Cristina Cesar, Mucio Tavares de Oliveira, Ricardo Tavares de Carvalho
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma das maiores causas de morbi-mortalidade no mundo e um dos principais motivos de procura a serviços de saúde, representando a maior porcentagem de pacientes com necessidade de cuidados paliativos (CP). A identificação de critérios de terminalidade permite adequação das terapêuticas e cuidados à fase de doença, melhor controle de sintomas e uso mais proporcional de recursos de saúde. Objetivou-se verificar o reconhecimento da pacientes (Pts) em fase terminal de IC e como são conduzidos em um hospital escola terciário de cardiologia. Metodologia: Avaliados retrospectivamente Pts admitidos em pronto-socorro (PS) com IC crônica agudizada entre Junho/2014 e Novembro/2015 com sinais e sintomas de congestão e baixo débito cardíaco (perfil hemodinâmico C). Resultados: Incluídos 113 Pts. 66,3% eram homens, mediana de idade de 62 anos (IQR 17) e fração de ejeção de 25% (IQR 12,3); 80,5% possuiam fração de ejeção ≤35%. 78 Pts (69,0%) tinham classe funcional III ou IV prévia, 66 (58,4%) procuraram PS pelo menos 1 vez e/ou foram internados por IC descompensada nos últimos 6 meses. Em 63,7% dos casos a piora clínica foi atribuída exclusivamente à evolução natural da IC. 68,1% dos Pts já utilizavam inibidores de enzima conversora de angiotensina ou bloqueadores de receptores de angiotensina II, 98,2% betabloqueadores, 67,2% espironolactona e 87,6% furosemida. A mediana do período de hospitalização foi de 25 dias (IQR 12,3). 55  Pct (48,7%) ficaram internados em unidade de terapia intensiva (UTI), por uma mediana de 24,5 dias (IQR 26,5). 71,6% ficaram internados exclusivamente em setores de atenção crítica (PS ou PS e UTI). 9 Pct (7,9%) foram transplantados. Houveram 56 óbitos na internação (49,6%) sendo que 40% da amostra faleceu em menos de 60 dias após a admissão. Somente 5 Pct (4,4%) receberam discussões e definições quanto à não realização de medidas avançadas de suporte de vida; apenas 2 (1,7%) foram avaliados por uma equipe especializada em CP. Dos 57 Pct que receberam alta nenhum foi avaliado pelos CP e 42,1% destes tiveram pelo menos uma nova rehospitalização nos 6 primeiros meses após a alta hospitalar, havendo 6 óbitos nas rehospitalizações (25,0% dos Pct readmitidos). Conclusão: Pct com IC em perfil C são graves e tiveram alta mortalidade hospitalar em curto prazo. Na grande maioria dos casos a fase terminal não foi reconhecida e a equipe de CP raramente solicitada. A não avaliação adequada do fim de vida limita a realização de discussões sobre o plano de cuidados avançados e a introdução da assistência em CP.

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