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TAQUICARDIA VENTRICULAR REFRATÁRIA POR RABDOMIOMA CARDÍACO: RELATO DE CASO

Bruscky, L.V.R., Boretti, V.S., Hygidio, D. A. , Lisboa, H. M. F., Machado, A.R. , Soares, O.C., Valdigem, B., Albrecht, F. C., Correia, E.B.
INSTITUTO DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA - - SP - BRASIL

INTRODUÇÃO: A taquicardia ventricular recorrente refratária (TVRR) ao tratamento habitual é pouco frequente e geralmente está associada à doença cardíaca estrutural, como doença coronariana, insuficiência cardíaca ou miocardiopatia hipertrófica. A investigação de alteração estrutural é de fundamental importância com implicações no tratamento e prognóstico.  RELATO: J.R.O, 35 anos, masculino, hipertenso  e ex-usuário de cocaína  encaminhado por TVRR. Relatava palpitações de curta duração há 2 anos e piora há 15 dias. O eletrocardiograma (ECG) mostrou ritmo sinusal com episódios frequentes de TVNS com padrão de bloqueio de ramo esquerdo (BRE) (figura 1). O Holter evidenciou 3.533 episódios de TV monomórfica sustentada e não sustentada. Ecocardiograma evidenciou massa arredondada, heterogênea, de contornos regulares no interior do ventrículo direito (VD), medindo 2,6 x 2,4 cm, confirmado por angiotomografia (figura 2). Realizada ressecção de tumor de 3,0 x 2,5 x 1,5 cm e ablação do sítio tumoral. Estudo eletrofisiológico intraoperatório pós-ressecção não mostrou arritmias. Anatomopatológico compatível com rabdomioma (RM). Recebeu alta assintomático, sem uso de antiarrítmico. Holter realizado dois anos após cirurgia evidenciou 29 episódios de TV monomórficas isoladas, com 1 episódio de TVNS com 5 batimentos e ressonância magnética sem evidência de recidiva tumoral. DISCUSSÃO:  Rabdomioma cardíaco é uma neoplasia benigna de músculo esquelético rara e ocorre geralmente em neonatos e crianças. Estudos têm demonstrado que a incidência de RM é 0,002-0,25% na autópsia, 0,02-0,08% em recém-nascidos vivos e 0,12% em exames pré-natais. Sua prevalência em adultos é pouco relatada na literatura. Pode ser assintomático ou causar alterações cardíacas funcionais ou elétricas. A confirmação é feita por anatomopatolologia que evidencia grandes células com vacúolos contendo glicogênio. Pelo caráter benigno da lesão, é passível de tratamento clínico, exceto em casos de obstrução severa do fluxo sanguíneo ou presença de arritmias de difícil controle, quando a ressecção cirúrgica pode levar à cura. CONCLUSÃO: Tumores intracardíacos podem ser a causa de arritmias ventriculares complexas, inclusive a TVRR e devem ser pesquisados, já que a ressecção cirúrgica pode ser o tratamento definitivo da arritmia. A investigação da doença cardíaca estrutural responsável pela ocorrência de arritmias ventriculares é fundamental para o bom prognóstico.

Figura 1. ECG: TV com padrão de BRE.

 

Figura 2. Tomografia de tórax: lesão nodular em VD.

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