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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Comorbidades agravam os quadros de insuficiência cardíaca e provocam internações mais prolongadas e com maior mortalidade durante a hospitalização

Carlos Henrique Del Carlo, Juliano N Cardoso, Marcelo E Ochiai, Paulo R Morgado, Robinson T Munhoz, José A Ramos Neto, Roberto Kalil Filho, Antonio C Pereira-Barretto
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - - SP - BRASIL

 Introdução: Comorbidades são frequentes nos pacientes (pac) com insuficiência cardíaca (IC) e agravam os quadros de IC. Procuramos avaliar o impacto das comorbidades na evolução dos pac com IC num Hospital Terciário de São Paulo. Pesquisamos a incidência de insuficiência renal (IR), diabetes (DM), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), Infecções (INF) e hipotireoidismo (HIPO).

 Métodos: Em 2014 foram hospitalizados, em nossa enfermaria, para compensação 260 pac. A maioria eram homens (54,2%), sendo a idade média de 66,1 anos, com várias comorbidades.  Cinquenta e seis pacientes (21,5%) morreram durante a internação e 36 (17,6%) no primeiro ano de seguimento. Na comparação das variáveis, utilizou-se o teste U de Mann-Whitney para as variáveis contínuas e teste do Qui-quadrado ou Exato de Fisher para as variáveis categóricas. Análise de sobrevida pelo método de Kaplan-Meier.

 Resultados: Somente 15 (5,8%) dos casos não apresentaram nenhuma das comorbidades analisadas. A mortalidade hospitalar foi 3,3 vezes maior entre os pac com comorbidades (22,5% vs 6,7%, p=0,204). A IR foi a comorbidade mais frequente (54,6%), sendo também frequentes INF (45,8%) e DM (36,5%). Dentre as comorbidades a IR e a INF (pneumonia e/ou infecção urinária), estiveram associadas com aumento da mortalidade durante a internação.  Morreram no hospital 57,1% daqueles com INF contra 42,6% dos sem INF (p = 0,054). Os pacientes com IR tiveram maior duração da hospitalização (31,2±20,6 vs 25,5±20,1 dias, p=0,003). Os pacientes sem comorbidades eram mais jovens (57,7±17,4 vs 66,6±12,2 anos, p=0,033) e apresentavam  maior comprometimento cardíaco em relação aos pacientes com comorbidades (FEVE: 26,7±6,8 vs 36,1±14,9%, p=0,016; BNP: 1973,6±1375,4 vs 1375,4±1304,8 pg/mL, p=0,029). Analisando a presença de INF e IR nesses pac, observamos aumento da mortalidade com o aumento do número de comorbidades: sem INF e sem IR (n=8/72, 11,1%), com INF e sem IR (n=5/46, 10,9%), sem INF e com IR (n=16/69, 23,2%), com INF e com IR (n=27/73, 37,0%) – p<0,001.

Conclusões: Comorbidades agravam os quadros de IC e contribuíram para a descompensação dos pacientes com IC. Pacientes sem comorbidades que internam descompensados apresentam comprometimento cardíaco mais acentuado explicando porque descompensaram e documentando que as comorbidades agravam os quadros de IC e levam a hospitalizações pacientes que não seriam hospitalizados se não as tivessem.

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