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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

O IMPACTO PARADOXAL DA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA DOENÇA DE CHAGAS EM PADRÕES DE MORTALIDADE EM IDOSOS

DARIUSH AKHAVAN, ANDRÉ MARTIN AKHAVAN
HOSPITAL BRASÍLIA - BRASÍLIA - DF - BRASIL

 

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, houve uma redução gradativa na incidência da Doença de Chagas no brasil, ao mesmo tempo que aumentaram as opções terapêuticas para tratar as suas complicações. Existe a premissa que tais mudanças levariam a uma redução da mortalidade por esta doença. Porém o tratamento de doenças crônicas sem cura definitiva, ao mesmo tempo que prolonga a vida dos pacientes, tem o potencial de trazer mudanças inesperadas no padrão de mortalidade e nos custos da atenção à saúde.

 

MÉTODOS

Os dados de mortalidade por Doença de Chagas foram analisados desde 1996 até 2014, o último ano com dados disponíveis pelo DATASUS. A análise foi realizada por faixa etária e em seguida por sexo. As séries com números insuficientes foram excluidas; assim, só as faixas etárias a partir dos 20 anos puderam ser incluidas. Os resultados foram examinados para detectar tendências no padrão da mortalidade ao longo do período disponível de 19 anos, para poder formar hipóteses da dinâmica responsável pela mudanças. As estatísticas de mortalidade foram também analisadas por escolaridade e grupos raciais.

 

RESULTADOS

Como seria de esperar as taxas de mortalidade sofreram uma queda significativa nas faixas etárias mais jovens. Esta queda fica menor na medida que aumenta a faixa etária ao ponto de reverter o padrão de queda. Na faixa de 70 a 79 anos, houve um aumento de 23% no número de óbitos, e aumento expressivo de 118% nas pessoas acima de 80 anos, muito maior que o aumento populacional. Nesta faixa o aumento da mortalidade foi ainda maior na população feminina, sofrendo um aumento de 167%. Pelo olhar regional, na faixa acima de 80 anos, o Nordeste teve o maior aumento, sendo de 150%, seguida pelo Sudeste e Centro-Oeste. Os números pequenos de óbitos no Norte e Sul dificultaram a sua inclusão.

A análise dos dados por escolaridade foi inviabilizada pelo grande número com este dado ignorada, algo que foi melhorando ao longo do tempo. A análise da mortalidade por grupos raciais foi impedida pelo mesmo motivo.

 

 

CONCLUSÕES

O aumento da mortalidade por Chagas na população idosa do brasil é uma achado contra-intuitivo. Entre os motivos seria o possível efeito de melhor tratamento das complicações da doença, prolongando a vida dos portadores, levando a redução da mortalidade nas faixas mais jovens e postergando o óbito pela doença a faixas mais idosas.

 

Há necessidade de pesquisar o motivo destas tendências, inclusive para alocar recursos necessitados por estas mudanças no padrão da mortalidade.

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