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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Calcificação assintomática de prótese mitral - causa não reconhecida de morte súbita na gestação

Viktor Sinkunas, Leandro Pedro Goloni Bertollo, Vitor Ribeiro Paes, Guilherme Sobreira Spina
Liga de Combate à Febre Reumática da Faculdade de Medicina da USP - São Paulo - São Paulo - Brasil

 

Introdução

A Febre Reumática (FR) continua a ser doença prevalente na população jovem brasileira, gerando valvopatias adquiridas, com graves consequências ao ciclo gravídico-puerperal. A calcificação de prótese mitral é pouco reconhecida como causa de morte súbita na gravidez e pode estar presente mesmo na ausência de sintomas ou ausculta cardíaca sem sinais de disfunção valvar. Descrevemos um caso ilustrando esta situação clínica.

Descrição

Paciente de 23 anos, com diagnóstico de FR com cardite aos 17 anos, realizou há 4 anos e meio implante de prótese biológica mitral para correção de insuficiência mitral reumática importante sintomática. Permaneceu assintomática com uso de profilaxia secundária reumática e teve diagnóstico de gestação há 7 meses. Evoluiu bem, sem sinais de dispneia ou palpitação, e com ausculta cardíaca sem sopros audíveis até 30 semanas de gestação. Durante esse período não conseguiu realizar ecocardiogramas (ECO) solicitados pela equipe de acompanhamento por problemas sociais. Apresentou quadro de edema agudo de pulmão, que, apesar de uso de ventilação não invasiva e aplicação de diuréticos intravenosos, evoluiu com taquipneia (40ipm), saturação de 88%, tiragem e esforço respiratório. Optado por intubação orotraqueal e ECO à beira leito, que mostrou disfunção de ventrículo direito, espessamento de valva mitral e átrio esquerdo aumentado. Devido à gravidade do caso e a falta de melhora da ventilação, paciente foi encaminhada ao centro cirúrgico para resolução de gestação. Na cirurgia o recém-nascido sobreviveu, mas a paciente foi a óbito. Durante necropsia, análise anatomopatológica da prótese indicou calcificação de grau importante com imobilidade de folhetos, contribuindo com o quadro de desequilíbrio hemodinâmico com congestão pulmonar refratária e baixo débito, que evoluiu para óbito da paciente.

Discussão

Esse caso mostra necessidade de triagem ativa por ECO para todas gestantes portadoras de próteses valvares, mesmo as implantadas recentemente ou na ausência de sintomas e sem ausculta de disfunção de prótese. Identificada calcificação da prótese, deve ser feita a intervenção cirúrgica ainda na gravidez, podendo ser também considerados procedimentos como implante de válvula protérica percutânea transapical (valve-in-valve) dentro da antiga. O seguimento médico periódico com estudo por ECO e tratamento cirúrgico de valvopatias de gestantes com diagnóstico prévio de FR, mesmo clinicamente assintomáticas, é que têm, portanto, potencial de melhorar o prognóstico da FR na gravidez e diminuir incidência de descompensação aguda.

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