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TRABALHOS APROVADOS > RESUMO

Gestante com transposição de grandes artérias sem correção cirúrgica

Silveira, CFSMP, Secco, K, Magalhães, CG, Borges, VTM, Okoshi, K, Hueb, JC, Mazeto, GMFS, Zanati, SG
FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU - - SP - BRASIL

Introdução: A transposição completa das grandes artérias (TGA) é uma cardiopatia congênita na qual a aorta surge anteriormente do ventrículo direito, e a artéria pulmonar surge posteriormente do ventrículo esquerdo. As circulações sistêmica e pulmonar estão separadas, funcionando em paralelo em vez de série. Há, portanto, para que se sobreviva, a necessidade de comunicações dos átrios, ventrículos ou grandes artérias que permitam mistura das circulações. Sem tratamento cirúrgico, 90% das crianças morrem durante o 1º ano de vida, não atingindo idade reprodutiva. Há relatos de mulheres com TGA corrigida, congênita ou cirurgicamente nos primeiros meses de vida, que atingiram a vida adulta e tiveram gestação a termo. Não há relatos de gestação em mulheres com TGA completa sem correção cirúrgica. Relato de caso: Paciente feminina, 35 anos, desde o nascimento apresentava dificuldade para mamar e dispneia, sem cianose, com diagnóstico ecocardiográfico de TGA, comunicação interatrial e comunicação interventricular, sendo introduzida digoxina. A despeito das orientações médicas, não foi realizada correção cirúrgica, perdendo seguimento aos 3 anos de idade. Retoma o seguimento, de forma irregular, em Ambulatório de Cardiologia, aos 15 anos de idade, em uso de digoxina e furosemida, devido dispneia aos grandes esforços, e aos 21 anos foi associada amiodarona por palpitações. Apesar de ter sido orientada quanto ao risco gestacional, uso de anticoncepção e seguimento com ginecologista, engravidou aos 26 anos. Encaminhada ao ambulatório de pré-natal de cardiopatia e gestação do serviço, sendo feito diagnóstico de hipotireoidismo subclínico e introduzida levotiroxina. Foi submetida à cesárea e laqueadura tubária na 30ª semana de gestação. No final da gestação e puerpério, evoluiu com tireotoxicose induzida por amiodarona, cursando com taquicardias supraventriculares durante a internação. Iniciada terapia anti-tireoidiana, evoluindo com hipotireoidismo. Ficou assintomática até os 32 anos, quando apresentou fibrilação atrial de alta resposta, sendo reintroduzida amiodarona e mantidos propranolol e levotiroxina. Paciente e filho, com boa evolução, até o momento atual. Conclusão: Este relato raro mostra que a gestação pode ser bem sucedida em mulheres com TGA completa não corrigida cirurgicamente. As complicações cardiovasculares mais comuns são arritmias supraventriculares. Aconselhamento pré-concepção e cuidados especializados durante a gestação são recomendados.

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